Para falar dessa operação primeiro é necessário apresentar alguns elementos e personagens.
Começo pelo objeto da nossa operação: nossa querida Vahine, uma canoa para 6 remadores (oc6) que foi entregue ao PVV em 2006. O nome vem do maori, significa mulher ou relativo ao sexo feminino. Somente seu nome já seria motivo para ser querida no nosso clube, mas ela é diferenciada em muitos aspectos, entre eles por ser a única canoa havaiana no Brasil feita de madeira. “A Vahine é especial por tudo que a envolve, além de ser leve e bem confortável para remar, estreita e se adequando melhor a uns tipos de mar que outros” - Clovis Racy, um dos fundadores do PVV.
Outro grande personagem dessa história é o Geninho, um dos idealizadores, construtor e agora restaurador. As palavras de Clovis ilustram Geninho: “É um artista na madeira, um construtor naval, um excelente cozinheiro (quem não lembra dos ceviches), além de Professor Pardal. Não há quem não viaje nas suas viagens.” As ceviches fecharam a nossa missão, mas delas contaremos daqui a pouco. Como pai coruja, o Geninho nos lembra de mais uma particularidade da canoa: “certamente a única no mundo feita com a nobre madeira de Vinhático”.
O objetivo da operação era levar a Vahine para ser restaurada e deixa-la como nova. Ninguém melhor para fazer isso do que o seu criador, Geninho. O estaleiro do Geninho fica em Pedra de Guaratiba, a 54 kms da Praia Vermelha e esse foi o tamanho das missões, uma para levar e outra para resgatar a canoa.
Para levar, o clube organizou uma confraternização no dia primeiro de maio de 2010 com 3 canoas saindo da Praia Vermelha na Urca, 30 remadores revezando nas canoa e uma lancha de apoio.
As outras duas canoas escolhidas para a missão de ida foram: a nossa valente Mirage e uma das Bradleys que foram adquiridas com Hugo Sanches. Nas trocas todos passaram por todas as canoas, o que foi ótimo para os remadores sentirem as diferenças e peculiaridades de cada uma.
O clima da ida foi o melhor possível, um dia de céu azul e sol forte. Com trocas de formação frequentes depois de algumas horas e com os 54 kms vencidos, chegamos a Pedra de Guaratiba. Entregamos a Vahine e desmontamos as outras duas para colocar no carreto. Como se já não bastasse nossa ótima remada, com direito a lancha de apoio e vista para toda orla da cidade maravilhosa, ainda vinha a cereja do bolo: o Geninho preparou um almoço, com ceviches regados a cervejas, caipirinhas e refrigerante. A primeira missão foi realizada com sucesso e como a Vahine não é tripartida, para sua volta foi feita outra missão, mais direta e com poucos remadores, mas isso depois dela passar alguns meses no estaleiro.
Os meses voaram e eis que vem a segunda parte da operação: a missão de volta. Dessa vez o clube resolveu fazer apenas o transporte por água de forma direta e objetiva, sem barco de apoio. Não foi por falta de voluntários, mas por questões práticas.
Por tanto foram fechadas apenas duas formações totalizando 12 remadores e a distância foi dividida em duas pernas. Isso sem falar dos remadores que foram para a Praia Vermelha e levaram uma das canoas para a praia da Urca e desocuparam espaço no cavalete para a Vahine.
A primeira perna começou na madrugada do dia 19 de fevereiro com a Teté pegando os outros 5 remadores e se dirigindo à Pedra de Guaratiba. Depois de transportarem a canoa do estaleiro até a praia, às 8:30 estavam na água para superar os 33 kms até a troca de remadores.
O quebra mar da Barra da Tijuca foi o local escolhido para a troca e a segunda formação chegou cedo. Eu tive a honra de estar nessa segunda formação, chegamos 9:30 e fomos pra agua só ao meio dia. Poderia ter sido uma cilada essa espera, mas não foi. A companhia dos outros remadores e um show de Motocross estilo livre que ocorria na praia fez o tempo voar. Infelizmente o canoa não pode sair até a areia e a troca foi feita na água. Com isso não foi possível parabenizar naquele momento a equipe que levou a canoa até ali.
O atraso na programação fez nossa perna ser contra o vento e a maré o tempo todo, mas nossa querida Vahine voou! Nossa leme Renata foi perfeita, todos remaram forte e juntos. Fizemos uma única parada no arpoador para aproveitar um pouco e foi o único momento passeio. Em 2 horas e 10 minutos vencemos os 21,5 kms e chegamos a Praia Vermelha. Guardar a canoa e iako foi a parte difícil, mas o pescador e colaborador Jorge tornou a tarefa um pouco menos árdua.
Pronto, nossa missão estava cumprida e a operação Vahine finalizada com sucesso. Agora a canoa está de volta a sua casa, os treinos do PVV contam com essa canoa e o tempo voltará a tentar desfazer o que o Geninho fez...
Não fazia parte da nossa operação, mas de pendência ficou a ama, que será feita outra de madeira em um momento futuro. Espero que seja o quanto antes pois nossa Vahine merece uma ama especial e exclusiva.
Muitos remadores são personagens que fizeram nossas missões realizadas e gostaria de agradecer a cada um deles.
O esquema e os remadores da ida 01/05/2010:
E da volta 19/02/2010:
1° Perna, saída Barra de Guaratiba. 33,5 km
Composição: Caveira, Victor, Pedrosa, Ceglia, Teté e Malza.
2° perna, saída Quebra mar da Barra, em frente ao Posto do Salvamar. 21,0km
Composição: Douglas, Chicão, Clovis, Juliano, Ulisses e Renatinha.
VALEU PVV BOLADÃO!!!
Escrito por Juliano Prado Crédito fotos: Gabriel Padilha fotos 1 a 6 - Letícia Lana foto 7





