
No dia 05/03/2010 duas duplas de remo saíram de Paraty Mirin com destino a Trindade para tentar aliar os esportes de mar, Surf, Canoa Havaiana e Caiaque Oceânico.
Tudo começou quando eu resolvi ter minha própria canoa havaiana depois de já remar por 4 anos em canoas havaianas tradicionais, as chamadas OC6. Depois de realizar a travessia entre o Rio de Janeiro e Ilha Grande sem paradas, fiquei na cabeça que tinha que dar um jeito de aliar os dois esportes que faço e que amo, o surf e a canoa havaiana.
Encomendei junto às canoas Tahiti, do alemão, minha OC1 em meados de Outubro e a previsão era de ter comigo no final de semana antes do carnaval. A partir da encomenda comecei a ver os possíveis destinos que poderia ser feito em 4 dias, já que trabalho em uma empresa com horários tradicionais como a maioria de nós surfistas e ou remadores.
Um em especial me chamou a atenção: Sair de Paraty Mirin e chegar em Trindade, no litoral Sul do Rio de Janeiro, parando especialmente em Martins de Sá, um lugar tanto falado por muitos amigos e que ainda não conhecia. Seria uma travessia de 4 dias, sendo que 3 remando e 1 em Martins para curtir o lugar e surfar sem parar.
Inicialmente iria sozinho, mas, ao falar com minha amiga Suzana Duarte, ela logo pilhou e se dispôs a ir com o caiaque oceânico dela. Começamos os planejamentos, aonde parar, rotas alternativas, que caminho seguir de acordo com vento/ ondulação e até mesmo marés. Tudo isso é fundamental quando se vai para o mar apenas com o remo.
O tempo passou rápido e outra grande amiga de remo e travessia, a Luiza Perin, se juntou na penúltima semana para a expedição. Porém, quando tudo estava quase certo, eis que uma surpresa acontece: Minha canoa não ficou pronta a tempo. Fiquei chateado, mas mesmo assim não desanimei do meu sonho e busquei alternativas. Luiza tem uma canoa havaiana dupla e assim fechamos nossa dupla. O caiaque Oceanico, também duplo da Suzana foi completado pelo Eduardo Schimmining. Assim fechamos nossa equipe: Duas embarcações de dois lugares e minha prancha amarrada na canoa havaiana.

Na sexta-feira de carnaval saímos do Rio em direção a Paraty Mirin. Lá descarregamos as embarcações e levei meu carro até Trindade para a pousada Araribé de um grande amigo do Surf daquela região, o Tulio. Cheguei lá as 3 horas da manha e ele na mesma hora se prontificou a deixar que meu carro ficasse na sua pousada até o fim da travessia.
Voltei para Paraty Mirin e então no dia seguinte as 9 horas da manha saímos para a primeira parte da travessia. Remamos por aproximadamente 3 horas e meia e chegamos na praia grande da cajaíba, ainda na parte de dentro da baía de Paraty onde passamos a primeira noite.
No dia seguinte acordamos bem cedo, tínhamos a missão de passarmos carregado por uma das pontas mais nervosas do nosso litoral, a ponta da Juatinga. Como havia visto anteriormente que o vento entraria após o meio dia, saímos as 8 da manha em direção a Martins de Sá.

Com a proteção dos Deuses e de Iemanjá, as previsões se confirmaram e passamos sem sustos pela Juatinga. É impressionante a energia que tem ali, mesmo nos dias de mares com pouca onda. Humildade e respeito são fundamentais sempre, mas naquele lugar especialmente. Depois de 3 horas de remada chegamos em Martins. O desembarque foi excelente pelo canto esquerdo e boas ondas quebravam no canto direito da praia. Não consegui desarrumar nada, apenas tirar minha prancha da canoa e ir correndo para o mar.

Estava me sentindo realizado, é possível sim levar sua prancha em uma canoa havaiana pequena e chegar em lugares incríveis. Surfei até não agüentar mais em um mar que todos estavam felizes. Tinha em torno de 10 pessoas no mar e onda para todos. Mando um alô para o Marcos Sifu que estava caindo lá também.
O dia seguinte foi ainda melhor de surf. O mar deu um levante e até alguns tubos rolaram. Enquanto eu surfava, a galera foi para a trilha. Fiquei no mar o dia inteiro e muito tempo sozinho. Que benção! Segunda-feira de carnaval e eu surfando sozinho por mais de duas horas! Depois entrou um outro brother de Niterói e ficamos dividindo as ondas. Muito astral e esse para mim é o verdadeiro espírito aloha.
Na terça-feira saímos em direção a uma praia deserta no caminho, passamos pelos costões de pedra, encontramos mais um casal de grandes amigos, a Bruna e o André remando de caiaque oceânico no mar no sentido oposto em direção a Martins, vimos golfinhos, arrumamos uns peixes e o fizemos na folha de bananeira e na fogueira em um céu mais do que estrelado.
Finalizamos a viagem no dia seguinte. Saímos dessa praia deserta em direção a nossa última perna da travessia, até Trindade. O mar estava igual a um espelho, como se fosse uma despedida para nós. Passamos pela praia do Sono, pelas praias de Laranjeiras, pela Brava de Trindade, Cepilho e finalmente nosso destino final, a praia do meio em Trindade! Depois de quatro dias nossa missão foi cumprida! Remamos muito, consegui pegar altas ondas e tudo com muito astral e sendo sempre muito bem recebido em todos os lugares que passamos e por todos que encontramos pelos caminhos.

Vale a pena seguir em frente e não esmorecer perante as dificuldades, sejam nos planejamentos ou durante o que se faz na vida. É preciso aprender a ter paciência para se conseguir a verdadeira oportunidade. Isso o surf nos ensina. Espera a boa da série, não vá em qualquer uma. O sabor de realizar um sonho não tem igual! Todo esforço vale a pena! Sem dúvida, naquele momento, nossos espíritos estavam renovados!

Gostaria de agradecer primeiro aos integrantes dessa barca: a Luiza Perin por mais essa travessia juntos e pela disposição em remar com uma prancha na canoa havaiana, a Suzana Duarte pela calma e astral positivo, ao Eduardo Shimmining pela parceria em todos os momentos da viagem e por ter se enquadrado tão bem no espírito leve da galera.
Finalmente, agradeço a Deus todo poderoso, Jesus Cristo, Iemanjá e Netuno por nos ter permitido chegar em segurança no nosso destino; ao pessoal do INEA de Paraty Mirin pelo abrigo na primeira noite; ao seu Maneco e Dona Neneca pela receptividade em Martins de Sá e finalmente ao Tulio da pousada Araribé em Trindade por ter ajudado na logística da viagem cedendo espaço na sua pousada para que pudesse deixar o carro durante a travessia.
Aloha,
Douglas Moura