Aloha Braddas!!!
Aos dias 04-07 de dezembro ocorreu na Argentina, Bariloche, junto ao Lago Nahuel Huapi, o encontro Sulamericano de Canoagem Havaiana, Na ‘Ohana O Na Hui Hoe Wa’a, com a presença de remadores da Argentina, Brasil, Colômbia e Hawai’i. Previstos ainda remadores de Rapa Nui/Chile e Peru, que não conseguiram acertar seus itinerários de viagem. Em seus quatro dias de evento realizou-se no 1º dia a inauguração do 4º Clube de Canoagem Havaiana da Argentina, o Mauna Kea Canoe Club, Montanha Branca em Hawaiiano, homenagem ao segundo maior vulcão da Ilha do Hawai’i. Na oportunidade realizou-se também o ritual de batismo de sua Canoa Mana Wai (Energia das Águas) e uma free session de remadas envolvendo remadores e moradores de Bariloche num primeiro contato com as Canoas Havaianas.

Photo by Lapa: Team Interclubers Brasil-Colômbia-Argentina - Nalu Kai Makani.
Alexey e Andressa (BRA) bancos #4 e #1; Claudia (COL) #3; Mirian, Guillermo e Beto (#@, #5, #6).
Aos 2º e 3º dias ocorreram as baterias em OC6 (Canoa Havaiana de Equipe) e OC1 (Canoa Havaiana Individual), percursos de 20km e 12km, respectivamente. No dia das baterias de OC6 ocorreu, ainda, uma segunda prova de 6km para integrar competidores iniciantes aos mais experientes. Ao 4º dia de remadas em Bariloche realizou-se uma clínica de Huli (virada e desvirada da Canoa), remadas em catamarã (casco duplo - double-hulled) junto ao tão esperado frio Patagônico com ventos que ultrapassavam 25knots na rajada, ar e água do Nahuel Huapi gélido, Argentinos na água e brasileiros em terra fotografando o espetáculo!!! Dois dias após o término do evento veio a tão esperada neve!!!
Destaque a programação de tempo integral do evento, dia e noite, que inclui todas as facilidades e conforto do luxuoso Hotel Puerto Pireo, sede do novo Clube Argentino, além de clínicas de remada com os remadores Ayelen Scuderi (‘Ohana O Ke Kai/Argentina), Alexey Bevilacqua (KANALOA/Brasil) e Roberto Protti (Hawaiian Canoe Club/HAWAII); workshop de Hula (dança típica Hawaiiana e Polinésia) com Andressa Saboya, remadora brasileira de grande destaque nacional; almoços e jantares, inclusos na inscrição do evento, gastronomia típica Argentina como o Cervo Patagônico, sobremesas de doce de pêra ao vinho branco e ainda vídeos, conferências e confraternizações durante a noite no Hotel Puerto Pireo. Um clima realmente muito familiar e acolhedor com até três gerações reunidas, pais, filhos e avós, uma característica do povo Argentino e também da própria Canoagem Havaiana e que fez aflorar os melhores sentimentos em todos os participantes.
Dentre os muitos “regalos”, presentes, proporcionados pela Patagônia Argentina houve uma batalha épica entre os remadores Mariano Larghi (Manu O Ke Kai/Argentina) e Alexey Bevilacqua (KANALOA/Brasil - Team TAIKÔ KANALOA/TRUZZ), na categoria individual (OC1) 12km. Ambos remadores revezaram-se na liderança da prova com estratégias e navegações totalmente distintas e em condições desafiantes de ventos, de até 20knots (40km/h) na rajada, ar seco e frio e uma água congelante. Aos 1.000m finais junto ao último contorno de bóias ambos remadores viram-se lado a lado novamente e como numa re-largada partiram ao sprint final com vantagem de Alexey. Claudio Fuchs do “Ohana O Ke Kai Canoe Club/Argentina garantiu a terceira colocação na mesma categoria.
Nas disputas por equipes, OC6 para 06 remadores, em duas formações distintas interclubes, Argentina/Brasil e Colômbia, Alexey Bevilacqua (KANALOA/Brasil), Andressa Saboya (Rapa Nui/Brasil) e Julia Kim (KANALOA/Brasil) ratificaram as 4ª e 1ª colocações respectivamente às regatas de 20km e 6km. Na regata de 20km mesmo chegando na 2ª colocação a equipe Nalu Kai Makani composta pelo remadores #1 Andressa Saboya/BRA, #2 Mirian Rossi/ARG, #3 Claudia Cumbe/COL, #4 Alexey Bevilacqua/BRA, Guillermo Folgado/ARG e Beto Rossi/ARG ficaram com a 4ª colocação após desclassificação por choque num contorno de bóias, situação prevista em regulamento. Na bateria de 6km a vitória veio através da formação com base do Clube ‘Ohana O Ke Kai/ARG, #1 Noa/ARG; #2 Ariel/ARG; #4 Edu/ARG; #6 Claudio Fuchs/ARG e participação dos remadores da KANALOA/BRA Alexey Bevilacqua e Julia Kim.
Na categoria feminina individual a disputa foi muito acirrada entre as remadoras Argentinas Ayelen Scuderi (‘Ohana O Ke Kai/ARG), Chiche Barbieri (‘Ohana O Ke Kai/ARG) e Claudia Larghi (Manu O Ke Kai/ARG) durante os 12km, mantendo estas colocações até a linha de chegada e com grande emoção de Ayelen Scuderi, campeã da categoria e das lágrimas também.
O momento mais emocionante do evento estava reservado a remadora Brasileira Andressa Saboya, uma grande campeã em água nacionais, que encontrou na Patagônia o teste a altura de seu Espírito. Sendo uma das últimas remadoras a sair da água seu choro ao completar o desafio contagiou todo o público, sendo ovacionada por muitos minutos entre assobios, palmas, beijos, abraços e lágrimas, muitas lágrimas, chegada digna de uma campeã!
Abaixo segue uma coletânea de fotos, cortesia do remador e fotógrafo Argentino Lapa! Para aqueles que tiverem um pouco mais de paciência segue abaixo mais um capítulo da Saga Odisséia Hawaiiana, neste no qual o Pará (remador de Bertioga) não esteve presente!!!
















Uma Odisséia Hawaiiana - Agora na Patagônia
... e sem o Pará!!!
by Alexey Bevilacqua
Estou de volta depois de viver dias de Sonho na Argentina!!!
Sim, já respondendo a pergunta de alguns, me apaixonei pela Argentina e não queria mais retornar!!!!
Não esperava por tudo que nos aguardava lá!!! Aos dois primeiros dias segurei as lágrimas firmemente, mas no terceiro aconteceu o degelo, vieram as lágrimas com a força da Patagônia e dos Andes junto!!! Esteve TUDO muito lindo, uma vibração muito intensa e pura, a Hui Hoe Argentina 110%, momentos mágicos do povo hospitaleiro e familiar e da Patagônia que ora mais ora menos testaria nossas Almas e Propósito!!!
“o importante, caso vocês caiam na água, é lembrar que vocês sabem respirar, lembrem-se disso e sigam respirando...!” Palavras que ouvi na reunião de segurança e...well...well...well...isto soou novo!! No íntimo senti um chamado ao despertar, hora de acordar e preparar o Espírito para a batalha porque algo de novo e diferente nos aguardava no Lago Nahuel Huapi e não era o Papai Noel!!!
Wetsuit manga longa 4.5mm, botinhas e coletes-flutuadores, traje obrigatório a todos os remadores, com insistência da “Prefectura” a Guarda Costeira Argentina. Até este momento eu via um lago, tudo bem a água é fria, mas para quem não virar a Canoa não há problemas! Assim pensava Alice até cair na toca do coelho.
“Nunca subestime a natureza e muito menos superestime suas capacidades e habilidades”.
Isso me veio a cabeça na reunião de segurança com a Guarda Costeira, estava curioso com toda a preocupação com a segurança, o dia estava ensolarado e com ventos moderado a forte, nada muito diferente do que encontramos em Floripa, mas em Nahuel Huapi esta condição pode mudar para uma tempestade com ventos de 120km/h em minutos.
“em teste de tolerância a hipotermia realizados no Nahuel Huapi, uma pessoa trajada com neoprene suporta apenas 15minutos imerso antes de seu desfalecimento”.
Red Alert...vi a luz vermelha ascender, agora eu entendia a insistência de Oscar Larghi em Buenos Aires para que eu levasse dois trajes longos de neoprene além do meu short John, lycra e dryfit TRUZZ; suas botinhas e mais uma jaqueta pesada para seguir a Bariloche!!! As únicas coisas que sabia de Bariloche era que as pessoas esquiavam no inverno e em minha inocência estava esperando temperaturas de um verão subtropical como de Floripa!!! Agindo como um verdadeiro turista!!!
Momentos antes da largada da categoria individual me peguei olhando com ares de preocupação ao meu equipamento, o ambiente ao redor e simulava em minha mente algumas situações adversas que poderiam acontecer e como sairia delas.
...
A verdade é que na primeira visão do Vulcão Lanín me causou impacto. Se destacando na paisagem pela altitude e por estar nevado o Lanín aos arredores de Nahuel Huapi atingiu meu âmago e pensei: que roubada!!! Acabei de sair do inverno de Floripa para encará-lo novamente aqui!!!
...
Agora olhando para a Violeta, a canoa Individual de Claudio e Chiche, vi que não adiantava me preocupar, agora teria que me concentar no que tinha que fazer, navegação, ajuste dos equipamentos. Agora seria para valer novamente e estava pronto a entrega e para ser testado. Veio a largada e com o quebrar das três primeiras ondas na Canoa que me molharam dos pés a cabeça, ufff, lembrei do Oscar e agradeci pelo wetsuit emprestado e pelas botinhas. Na verdade pensei que não agüentaria muito tempo a mais aquele frio. Já não sentia mais as mãos a 5minutos da largada e tinha medo de perder a sensibilidade nos pés e pernas também. Importantes trocas de bordo foram perdidas com as mãos duras e geladas. O ar de tão seco e frio parecia que iria arrancar meus pulmões e garganta pela boca, esta igualmente seca, a língua havia virado um tijolo e o bom era poder tomar da límpida água de degelo do Nahuel Huapi.
Ao meu lado agora não era o chato do Pára, mas uma Montanha que sabia remar, o Mauna Loa em pessoa, Mariano Larghi, que pelos Deuses logo se dirigiu ao lado oposto do lago. E pensei: o Mariano sabe de algo que eu não sei!!! Ele sabia, lá havia uma sombra de vento e eu seguia quebrando pedras, de gelo, contra o vento no meio do lago.
n: 0px;">Passados os momentos intermináveis de dor e sofrimento, encontrados em qualquer rito de passagem, me entreguei a Patagônia e pedi benção ao Espírito Ancestral Mapuche, o Povo Nativo de Naheul Huapi. E evocando-os remada após remada sentia a força das montanhas que ultrapassavam os 2.200m soprarem em minha direção ventos gélidos e igualmente fortes como para testar meu propósito nesta travessia. Mas agora meu corpo e Espírito estavam aquecidos ao combate.
Da Patagônia sai enamorado, meu corpo retornou ao Brasil, mas minha Alma e Coração por lá ficaram. A cada noite de Sonho, agora, retorno a Nahuel Huapi em busca de partes do meu Eu e de muitos Hermanos de Jornada que por lá vivem e remam também!!!
Aloha Ke Akua Argentina, Aloha Ke Akua Brasil, Aloha Ke Akua Na ‘Ohana O Na Hui Hoe Wa’a de todo o Mundo!!!
Nos vemos em breve e em água!!!
Alexey